Pesquisa e monitoramento de caramujos reforça vigilância epidemiológica em Bragança
Parceria entre Instituto Evandro Chagas, IFPA e Saúde Municipal acompanha espécies associadas à transmissão da esquistossomose e de outros agentes de interesse sanitário
A identificação de caramujos infectados pelo parasita causador da esquistossomose em uma área urbana de Bragança acendeu um alerta para o monitoramento epidemiológico no município. A constatação é resultado de um trabalho conjunto entre a Vigilância em Saúde da Prefeitura de Bragança, o Instituto Evandro Chagas (IEC) e o IFPA campus Bragança.
Os moluscos foram coletados em áreas alagadas próximas ao centro da cidade. Além da confirmação da presença do Schistosoma mansoni, agente causador da esquistossomose, as amostras passaram por análises genéticas realizadas pelo Laboratório de Biologia Molecular e Neuroecologia (LBN) do IFPA, que também identificou sequências de outros organismos de interesse sanitário.
As informações produzidas pela pesquisa devem orientar ações de prevenção, educação, monitoramento e controle de doenças pela Vigilância em Saúde do município, especialmente em áreas com deficiência de saneamento básico e sujeitas à influência das marés, que podem favorecer a dispersão de agentes patogênicos.
Representantes da Vigilância Epidemiológica e Ambiental estiveram reunidos no dia 2 de junho com o coordenador do LBN/IFPA, professor Cristovam Guerreiro Diniz, para discutir os resultados obtidos e definir estratégias de acompanhamento. A parceria também prevê o compartilhamento de dados e o fortalecimento das ações de vigilância ambiental no município.
A pauta principal da reunião foi a entrega e a análise da nota técnica nº 001/2026, fruto do Acordo de Cooperação nº IEC-003/2023, firmado entre o IFPA campus Bragança e o Laboratório de Malacologia (LABMAL) do Instituto Evandro Chagas (IEC/SVSA/MS).
“O IFPA se mantém à disposição para colaborar em qualquer etapa da vigilância em saúde relacionada ao caso. E este papel é inclusive uma das vocações do instituto”, afirma o professor Cristovam Diniz. “Os resultados da pesquisa serão publicados em artigos científicos e poderão ser utilizados para a gestão de políticas públicas”, diz o professor do IFPA.
Os caramujos analisados são da espécie Biomphalaria glabrata, que pode atuar na transmissão do parasita causador da esquistossomose.
Análises - No Laboratório de Biologia Molecular e Neuroecologia (LBN) do IFPA campus Bragança, as amostras coletadas em campo passaram por análises genéticas que ajudam a identificar organismos com potencial impacto para a saúde pública. O detalhamento dos resultados está na nota técnica compartilhada na reunião
Os caramujos coletados na cidade pertencem à espécie Biomphalaria glabrata, que pode atuar na transmissão do parasita causador da esquistossomose. Nesta etapa da pesquisa, não foram analisados exemplares da espécie Achatina fulica, conhecida como caramujo-africano.
O trabalho utilizou técnicas avançadas de sequenciamento e análise de dados biológicos, processados dentro do laboratório que integra o Campus Bragança do IFPA. Participaram das etapas de coleta e análise do material pesquisadores do LBN e estudantes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas e da Especialização em Biologia Celular e Molecular.
Os resultados contribuem para a compreensão dos riscos sanitários da presença do caramujo e podem auxiliar no planejamento de ações de prevenção e controle de doenças no município.
Material coletado em Bragança foi analisado no Laboratório de Biologia Molecular e Neuroecologia (LBN), do IFPA
Orientações e riscos
A Prefeitura de Bragança divulgou nas redes sociais orientações sobre como lidar com a proliferação de caracóis e caramujos, especialmente o caramujo-africano. A principal recomendação é evitar o contato direto com moluscos encontrados em áreas alagadas, canais, valas e terrenos úmidos. Caso seja necessário manuseá-los, o uso de luvas ou outros meios de proteção é indispensável. Também recomenda-se o uso de calçados para acessar áreas alagadas, para evitar contato com os patógenos.
Entre as medidas indicadas para o controle dos animais está a utilização de uma solução de água e cloro para eliminar os exemplares coletados.
A população também pode contribuir para reduzir a proliferação dos caramujos mantendo quintais e terrenos limpos, eliminando o acúmulo de lixo e entulho e evitando o descarte irregular de resíduos em áreas sujeitas a alagamentos. Ambientes úmidos, com vegetação abundante e matéria orgânica, favorecem a presença desses animais.

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